Dores no peito

Depois de relutar muito, o Dr. Teóphilo, eminente jurista respeitado por seus pares, aceitou por fim assumir a defesa daquele acusado conhecido pela alcunha de Zé Galinha, principal chefe de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios.

Os honorários oferecidos eram irrecusáveis. Uma soma de dinheiro bem maior do que tudo o que pode acumular em mais de 50 anos deatuação nos tribunais.

Mas aceitou a causa a contragosto, diga-se.

Ao ponto de aquilo já estar até prejudicando sua saúde.

Estava sozinho no seu luxuoso gabinete, preparando os argumentos finais que levaria à tribuna.

Foi quando começou a se sentir mal: ondas de calor, uma dor estranha no peito...

- Puta que pariu! Será que vou enfartar agora?!...

Assustado, parou imediatamente tudo o que estava fazendo.

Deu instruções rápidas para seus inúmeros assistentes e secretárias. E saiuàs pressas.

Mas não em direção a um hospital (já que o ambiente hospitalar lhe causava mais horror do que qualquer ameçaça de ataque do coração) mas sim para sua mansão no Morumbi.

- Não há de ser nada. Basta eu deitar um pouco e relaxar, que a coisa passa —pensou ele.

Nem cumprimentou ninguém na casa. Em passos largos, incomodado com a dor no peito, subiu até o quarto, tirou o paletó, afroxou a grava e caiu na cama, temendo pelo pior.

Para seu espanto, como que por um passe de mágica, todo o incômodo sumiu e ele dormiu o sono dos justos.

Não se sabe quanto tempo passou. Mas o fato é que quando abriu os olhos deu de cara com um velho barbudo.

 Quem é você?  —perguntou ele.

- Eu sou São Pedro. E você está no céu, meu filho...

- Ai meu Deus! Quer dizer, meu São Pedro! Não acredito nisso! Eu não posso morrer! Por favor, me faça voltar!

- Hummm... Você pode até voltar, Theóphilo... Mas tem que ser como galinha.

- Galinha? —perguntou ele, pensativo. Não há outra alternativa, São Pedro.

- Não dá meu filho. Já estou abrindo uma exceção, porque uma vez, quando menino, você ajudou uma velhinha a atravessar uma avenida. Mas, sabe como é: não podemos correr o risco de você retornar como humano e no futuro voltar a defender bandidos...

- Então ta! Se não tem outra opção, fico com a galinha.

TÓIM! !!!

Como num passe de mágica ele se vê num  galinheiro.

- Caramba! (có) —cacareja ele. Eu virei (có) uma galinha mesmo (có)!

De repente, um galo se aproxima:

-  Você é (có) é nova no galinheiro (có), certo?

-S... Sou sim (có) —disse o Dr. Teóphilo, morrendo de medo de ter que satisfazer os desejos sexuais do galo, que, nolugar de partir direto para o ataque, explicou pacientemente:

- Aqui no galinheiro (có), ou você é reprodutora ou botadeira! Qual é sua (có) escolha?

- Olha, seu (có) galo... Não quero ser reprodutora(có), mas também não sei botar ovo não!(có)...

- Venha cá, Gertrudes! —cantou de galo o penoso. Ensine esta galinha (có) desastrada a botar ovo!

- Sim senhor! —obedece a galinha veterana, virando-se para a galinha Teóphilo: “Olha só... Você deve levantar a asinha esquerda duas vezes e fazer "cócócóóó"!

A galinha Dr. Teóphilo obedece e sai um ovo. Então ela repete a operação e, ploft, outro ovo.

- Que legal! —comemora Teóphilo. Tô começando a gostar desse negócio de ser galinha...

Quando vai botar o terceiro ovo ele ouve um grito.

Era a voz da sua mulher:

- Pô, Téo! Acorda aí! Você tá cagando na cama toda!...

 

(O Sampa Indica acaba de entrar na rede e ainda está sendo editado  de forma experimental - Conheça as outras páginas e colabore com suas críticas e sugestões)

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