O caos da mobilidade urbana em São Paulo

Vivemos um momento em que as forças reacionárias e antipopulares atuam no sentido de “enxugar” o Estado e privatizar tudo que pode.

Por HEITOR CLÁUDIO LEITE E SILVA

 Afinal, a burguesia precisa frear a diminuição da sua taxa de lucro e o faz com o dinheiro que iria para a população que mais precisa do Estado.

 E começamos a ver uma política urbana voltada para o carro particular e, claro, nos bairros mais ricos da cidade. O abandono dos corredores de ônibus, penalizando o trabalhador, o fim do Passe Livre para os estudantes que ataca frontalmente, em particular, o estudante mais carente, a diminuição de linhas, tornando os coletivos mais lotados e com um número de quebra assustador! Não obstante, livra o carro particular de veicular pela faixa exclusiva de ônibus, cada vez mais, diminuindo o horário de proibição!

 E de quem é a responsabilidade pelas horas de congestionamentos que o trabalhador fica confinado, particularmente, daquele que está dentro de um coletivo e em pé!

Vamos aos números para compreendermos isso.

 Primeiro, nosso sistema viário não atende a demanda reprimida de uma política que privilegia o veículo sobre pneus e, em particular, individual. Além do mais, a cada novo prédio levantado, piora ainda mais a mobilidade urbana.

Excesso de Veículos

 Temos mais veículos do que nosso sistema viário pode suportar. Bom exemplo é a estupidez da faixa central nas Marginais. Obra viária inescrupulosa do ponto de vista de seu custo e que gerou só mais trânsito por conta da demanda reprimida e, ainda, perigosa, pois, suas agulhas foram mal projetadas e mal sinalizadas!

Em tempo: custou muito caro e não resolveu em nada a questão da mobilidade e, diga-se de passagem, por ser um viário que circunda o centro expandido e não ingressa no sistema nervoso central da cidade, deveria privilegiar o transporte de carga. No entanto, inverteram isso!

 E qual a única saída plausível para essa problemática? O transporte sobre trilhos.

 Ocorre que parte dele foi privatizado e o metrô, esbarra na corrupcão do PSDB, de seus governantes e na falta de vontade de atender a população. Há quem não goste da afirmação, mas, temos um dos piores, se não, o pior, metrô do mundo. Eis a constatação!

Dados comparativos

 Tomemos uma cidade como Paris como exemplo.  Em sua área metropolitana, ela conta com uma população de aproximada de 2,3 milhões de habitantes, contra 21,3 milhões habitantes em São Paulo. Enquanto aqui temos em torno de 81,1km de metrô, o que significa algo em torno de 164 mil habitantes por quilômetro construído, Paris construiu 214 km, o que significa menos de 10.747 habitantes por quilômetro construído. Isso significa 15,26 vezes menos que o número atendido pelo metrô paulistano.

 No transporte coletivo sobre pneus, Paris tem um ônibus para cada 173,5 usuários. Já São Paulo, para cada 1.962,96. Ou seja, Paris é melhor 11,31 vezes do que nossa capital no que se refere a oferta de ônibus por habitante! Não obstante, o transporte público francês é todo estatizado!

 Enquanto isso, por aqui, na onda privatista, Temer, o golpista, pretende privatizar todo o serviço de transporte sobre trilhos, um modal altamente lucrativo, mas que está abandonado, para uma empresa chinesa, claro, estatal!

 Esses dados, relativos a 2015, são facilmente encontrados na Internet e comprovam o mau-caratismo de Alckmin, Dória e sua corja privatista, que pretende atender a necessidade de conter a baixa da taxa de lucro dos grandes empresários e, para tanto, coloca o povo paulista e, claro, brasileiro, a sofrer com um péssimo atendimento em nosso sistema de serviço público de transportes que, de público, só tem o povo trabalhador como usuário. A lucratividade é privada ou está nos cofres dos paraísos fiscais de nossos governantes paulistas!

 Com esses dados fica evidente a necessidade de investimento em transporte público sobre trilhos. Além de mais barato, poderia atender melhor a população trabalhadora. Outrossim, nosso metrô só atende a classe média. Não se investe nenhum metro de metrô na periferia onde moram os que mais necessitariam desse transporte.  Não obstante, precisamos, no mínimo, aumentar em dez vezes a sua extensão!

 Mas o pior é que com um governo que não pensa na população e quer economizar verbas públicas. Investimentos em linhas metrô é dinheiro a fundo perdido e que não se recupera de forma direta. A economia só virá devido a um menor custo com asfalto, tráfego intenso, diminuição de do tempo para a população se dirigir a seu trabalho etc. Enfim, os interesses da população são, imensuravelmente contrário aos da atual administração pública municipal, estadual e nacional.

Com a palavra os interessados, ou me provem o contrário!

HEITOR CLÁUDIO LEITE E SILVA, Historiador e Pedagogo, é secretário de Finanças do Diretório Zonal do PT da Freguesia/Brasilândia e dirigente do grupo Combate Pelo Socialismo.

 

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