O poderoso empresário Alcebíades morria de ciúmes

A grande capitão de empresas Dr. Alcebídes do Valle Silva Prado da Costa Manso, mais conhecido nas rodas de negócios como Alce Manso, tinha tudo o que queria na vida. Empresas líderes em seus segmentos, amigos em todos os governos, fortes relações comerciais com outros países, uma linda e jovem mulher...

Mas era aí que sua felicidade acabava, sufocada em dúvidas.

Aos vinte e pouquíssimos anos, sua jovem e viçosa esposa, Patrícia de Souza Faria, a popular Paty Faria, como a chamavam seus amigos da faculdade, era cobiçada por todos. De início, isso até envaidecia o Dr. Alce Manso (“todos querem, mas só eu é que tenho da Danadinha”, raciocinava ele, utilizando o dimitunito que só ele usava).

Mas a partir do terceiro mês depois do casamento, a dúvida passou a corroer o coração do Dr. Alcebíades. Ele via ou imaginava (já não sabia ao certo) motivos para desconfiar da moça em tudo. Numa troca de olhares com outro homem num coquetel, num sorriso simpático demais para o sócio, no jantar de confraternização das suas empresas, na fazenda, na ilha, no iate.

Onde quer que estivesse com sua Patricinha, ou Paty, o Dr. Alce Manso ficava enciumado. Em silêncio, sem demonstrar, mas corroendo-se por dentro.

- Se ela é tão simpática assim com todos, quando estou ao seu lado, como será quando eu não me encontro por perto? —perguntava-se ele.

No quarto mês de casados, ele não agüentou mais e, seguindo os conselhos espirituais de sua falecida mãe (“aquilo sim é que era mulher!”), mesmo relutante, resolveu contratar um detetive particular.

Como não queria dividir suas aflições com ninguém das empresas, pesquisou sozinho na Internet. Até que achou o detetive certo: bom currículo, ótimos serviços prestados, muitos cursos e, principalmente,  amigo do Japonês da Federal. O nome dele era Salvador Moura do Rego, que seus colegas de profissão carinhosamente chamavam de Salmoura no Rego.

Iria mandar o detetive fazer o serviço de espionagem na semana seguinte, quando ele próprio estaria vistoriando algumas das filiais no Exterior.

Não é preciso dizer que durante toda a viagem ele não tirava a sua Patricinha, a Paty Faria, da cabeça. E até se culpava por ter desconfiado dela, a ponto de contratar um detetive particular.

- Como eu pude fazer isso,?! —repreendia-se ele. A Paty é tão ingênua... Aos vinte e dois anos se casou comigo virgem! Como eu posso duvidar de uma menina assim tão pura!?

Dr. Alceu ia estava convicto de que sua Patricinha, ou Paty, perdeu a virgindade com ele (“ela me garantiu que foi a primeira vez e todos sabemos que nem toda jovem sente dor quando perde a virgindade, e todas aquelas coisas que ela fez na primeira noite, certamente aprendeu nos livro de biologia).

Voltando de viagem, assim que chegou ao seu escritório central, o Dr. Alcebíades chamou o Detetive Salmoura.

Ele chegou, cumprimentou o velho empresário, sentou-se a mesa, entregou um volumoso envelope.

- Está tudo aí, Sr. Doutor! Seguimos todos os passos da sua senhora, Dona Patrícia de Souza Faria. ou Paty Faria, desde que o senhor saiu. Tem qui os CDs com as filmagens, as gravações internas e externas, e as transcrições e resumo de tudo o que foi apurado.

Vendo aquele calhamaço de papéis e os muitos CDs, Dr. Alceu impaciente falou:

- Escute aqui, Sr. Salmoura: Sou um homem muito ocupado e vou perder muito tempo lendo, ouvindo e vendo tudo isso aqui. Me faça um favor: relate já, de forma resumida tudo o que aconteceu durante a semana.

- Pois é, Sr. Dr. Alcebíades... Durante os primeiros dias, foi tudo nos conformes: De casa para a faculdade, da faculdade para casa. De casa para a academia, ou para o curso de inglês, tudo rotina...

- Só isso?! —perguntou o o Dr. Alce Manso, já aliviado. Vocês filmaram e gravaram tudo e nada esteve fora da rotina, né?...

- Sim, Sr. Dr. Alcebíades. Mas só até sexta-feira à noite.

- O que é que aconteceu sexta-feira à noite? —inquietou-se o capitão de empresas.

- Bom, Sr. Dr. Alcebíades. Na sexta-feira à noite, encostou na porta dos fundos sua casa o fusca do Professor Ricardo, da academia que a sua senhora, Dona Patrícia, freqüenta todos os dias. Pelos nossos binóculos, vimos que assim que estacionou, o sujeito (um cara imenso, viu, seu doutor!?) pegou o celular e ligou para alguém.

- Em seguida, Dona Paty Faria saiu pela porta dos fundos, na ponta dos pés e entrou no carro.

- E daí! O que aconteceu?

- Daí que eles saíram com o carro e nossas viaturas foram na cola...

- Tá! E daí? Pra onde é que eles foram?

- Pegaram a Marginal...

- Sei! Mas então, pra onde eles foram?

- Seguiram em direção à zona oeste...

- Sei! Cacete! E daí, pra onde eles foram?

 - Nós fomos gravando tudo com nossas viaturas. E eles entraram numa travessa...

- Foda-se! Não me interessa qual era a travessa! —explodiu o grande empresário. O que é que tinha nessa tal travessa?

- Lá na frente, dava pra ver a placa de um motel de luxo...

- Sei! E daí?... O que aconteceu depois?...

- Eles seguiram pela travessa, em direção à tal placa...

- Porra! Acaba logo com isso, catso! O que aconteceu depois?...

- Bom, Sr. Dr. Alcebíadas, era sexta-feira à noite, né? Eles entraram com o fusca no motel e a sua senhora, Dona Patrícia, só chegou à sua casa agora pouco, segunda-feira de manhã...

- Peralá! Eles podem ter entrado no motel por uma porta e saído por outra, sem que vocês percebessem —sorriu esperto o Dr. Alce Manso.

- Negativo. Assim que eles entraram no motel, fomos lá em seguida e verificamos que o fusca do professor grandalhão estava estacionado lá dentro e que os dois ocupavam a suíte supra-plus-premiun, king size, do motel...

- Entendo —fungou o empresário, enquanto tamborilava o tampo da mesa, pensativo. por alguns segundos.

- Compreendo perfeitamente o que aconteceu até aqui no seu relato, Detetive Salmoura. Mas me diga uma coisa: o que é que vocês conseguiram gravar do que acontecia dentro da tal suíte?

- Ora, Sr. Dr. Alceu: Não tinha como a gente gravar nada, porque fomos pegos de surpresa. Não deu para instalar antes câmeras e microfones no ambiente...

- Então, Detetive Salmoura, pode-se dizer que você e sua equipe não sabem dizer exatamente o que aconteceu lá dentro, justamente pela ausência de câmeras e microfones, certo?

- Está correto, Sr. Dr. Alcebíados. De fato, como nada foi gravado, não podemos afirmar que sabemos...

-  Ohhhhhhhhhh! My Gooooooooood! —bradou inconformado, a todos pulmões, um inconformado Dr. Alce Manso.

- É essa dúvida que me mata!...

 

(O Sampa Indica acaba de entrar na rede e ainda está sendo editado  de forma experimental - Conheça as outras páginas e colabore com suas críticas e sugestões)

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